Todos os anos, a 25 de julho, Espanha celebra o Dia de Santiago, feriado nacional em honra do apóstolo Tiago Maior, cujo túmulo, segundo a tradição, foi descoberto em Compostela no século IX. O que muitas vezes se esquece é que esta data tem uma ligação direta e profunda com o sítio onde estás agora, ou para onde estás a planear viajar: o Norte de Portugal.
Quem foi Santiago e porque se celebra a 25 de julho
Tiago Maior foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo e, segundo a tradição cristã, terá pregado na Península Ibérica antes de regressar à Judeia, onde foi martirizado. Os seus restos mortais, diz a lenda, foram trazidos de volta por barco e enterrados no que viria a ser Santiago de Compostela, na Galiza. A descoberta do túmulo, no século IX, transformou Compostela num dos destinos de peregrinação mais importantes da cristandade, ao lado de Jerusalém e Roma. A 25 de julho celebra-se a sua festa litúrgica, e em anos de “Ano Santo Jacobeu” (quando o dia 25 cai num domingo), as celebrações em Compostela atingem uma escala ainda maior, atraindo milhões de visitantes.

“Não é só uma data no calendário religioso. É o motivo pelo qual, há mais de mil anos, existe um caminho que ainda hoje se pode caminhar.”
O Caminho Português: a rota que atravessa o Norte
Entre as várias rotas que convergem em Compostela, o Caminho Francês, o Caminho do Norte, a Via da Prata, existe uma que nasce ou passa diretamente pelo território onde estamos: o Caminho Português, que tem o seu ponto de partida tradicional em Lisboa ou no Porto, e segue para norte até cruzar a fronteira em Valença ou seguir pela Variante do Litoral junto ao Atlântico.
É precisamente esta Variante do Litoral que mais se aproxima do espírito do que fazemos aqui: segue a costa, passa por praias, vilas piscatórias e paisagens atlânticas.
Caminhar mesmo só um troço desta rota entre Vila do Conde e Caminha, por exemplo, é caminhar pela mesma paisagem que viu passar peregrinos desde a Idade Média. As marcas amarelas com a concha, símbolo de Santiago, ainda guiam o caminho, pintadas em postes, muros e pedras ao longo da costa.
A concha de Santiago: o símbolo que também é do mar
Há algo poético na escolha da vieira (a concha) como símbolo do Caminho de Santiago. Segundo uma das lendas associadas ao apóstolo, o seu corpo, ao ser transportado por mar até à Galiza, chegou à costa coberto de conchas, e desde então a vieira tornou-se o emblema universal da peregrinação jacobeia.
É curioso pensar que o símbolo de uma das maiores peregrinações terrestres da história tem origem no mar. Para quem vive e respira o Atlântico todos os dias, como fazemos aqui, esta ligação entre fé, caminhada e oceano não é coincidência, é a mesma relação ancestral entre as pessoas desta costa e a água que sempre existiu.

Uma data, duas formas de chegar ao mesmo lugar
Há quem chegue a esta costa a pé, com uma vieira pendurada na mochila, depois de semanas de caminhada. Há quem chegue de avião, com uma prancha debaixo do braço, para uma semana de aulas. No fundo, todos procuram a mesma coisa: uma pausa do ritmo normal da vida, um regresso a algo mais simples e mais físico, uma ligação com algo maior do que o quotidiano.
O Dia de Santiago é, talvez, um bom lembrete de que esta costa sempre foi um lugar de passagem, de procura e de transformação.
